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O Alienista - Machado de Assis - Análise feita por Carolina Bacelar
OBS: A obra foi publicada primeiramente em partes, entre outubro de 1881 e março de 1882, quando foi publicada em volume único.

(...)
02. "O que significa a expressão "casa de Orates" no texto? A quem deseja servir Simão Bacamarte quando constrói a "Casa Verde" em Itaguaí?"

"Casa de Loucos". E, aparentemente, ele deseja servir à ciência. Porém, por trás dos atos aparentemente bons, surpreende-se a intenção verdadeira de Bacamarte: atingir a glória e ser a pessoa mais importante de Itaguaí. É Machado desmascarando a hipocrisia humana.

03. "A princípio, a inauguração do sanatório é comemorada pela população. Entretanto, as pessoas logo mudam de conduta e se revoltam contra Simão Bacamarte. Por que?"

A aprovação cessa quando Simão Bacamarte recolhe, na Casa Verde, pessoas em cuja loucura a população não acredita. Para Simão Bacamarte, o homem é considerado um caso que deve ser analisado cientificamente.

04. Quais as principais teorias de Simão Bacamarte sobre a loucura (veja capítulos IV, XI, XII)?

Teoria1: são loucos aqueles que apresentarem um comportamento anormal de acordo com o conhecimento da maioria.
Teoria 2: ampliou o território da loucura: "A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades, fora daí, insânia, insânia e só insânia."
Teoria 3: os loucos agora são os leais, os justos, os honestos e imparciais. Dizia que se devia admitir como normal o desequilíbrio das faculdades e como patológico, o seu equilíbrio.
Teoria 4: o único ser perfeito de Itaguaí era o próprio Simão Bacamarte. Logo, somente ele deveria ir para a Casa Verde.

05. Comente:

A. O papel da Câmara, em especial dos vereadores Galvão e Freitas.
Facilitar verbas para realização do projeto de Simão Bacamarte. Galvão não concorda com Freitas. Freitas achava que os vereadores não deveriam ser recolhidos às Casa Verde.

B. O papel do barbeiro Porfírio - É correto afirmar dele: "O poder corrompe"?
Porfírio, ao tomar poder em Itaguaí, procura o apoio de Simão Bacamarte, mostrando que, mesmo sendo representante do povo, os políticos fazem conchavos para manterem-se no poder.


06. A narrativa se desenvolve em 1a. ou 3a. pessoa?

O narrador é de 3a. pessoa, portanto, onisciente.

07. Como se posiciona o narrador diante dos fatos? É um narrador onisciente? Tem uma intencionalidade crítica?

A intenção do narrador é a análise do comportamento humano: vai além das aparências e procura atingir os motivos essenciais da conduta humana, descobrindo, no homem, o egoísmo e a vaidade. A intencionalidade crítica do narrador não se reflete somente ao ser humano de forma geral. Ele critica, também, a postura do cientista e do extremo cientificismo do final do século XIX.

08. O desenvolvimento dos fatos (decurso temporal) tem uma seqüência cronológica ou o narrador apela para o flash back?

Percebe-se que toda a história se passa no passado, havendo o uso do flash back: "As crônicas da Vila de Itaguaí dizem que, em tempos remotos, vivera ali um certo médico: o Dr. Sr. Bacamarte.

09. Comprove com o conto:

A. Aspectos de crítica sócio-política:
Na figura do Porfírio, analisa-se o político sempre buscando vantagens pessoais. No povo da cidade de Itaguaí, percebe-se a submissão, a fácil manipulação, bastando, para isso, conhecimento ou liderança.


B. Humor amargo de Machado de Assis - visão irônica e amarga que enfatiza aspectos negativos denunciadores da frustração humana:
O autor utiliza o humor para criticar a hipocrisia humana, provocada por um sistema social regido pela falta de valores. O homem, para Machado, é acima de tudo, ganancioso e movido pela intenção de poder.

(...)
http://vbookstore.uol.com.br/resumos/alienista.shtml

7 comentários:

  1. Danilo Cabral de Aguiar10/05/10 08:22

    Proponho a todos os intelectuais de Itaguaí (se é que existem?) uma revisão da obra "O Alienista", atualizar os personagens, trazer para o tempo presente, trocar os personagens fictícios pelos atuais nomes da política local...

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  2. Tem coisas que não mudam!!!!

    Os pontos 5 e 9 me deixaram mais pensativo...

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  3. Não sei você, leitor. Mas pelos critérios do alienista, nem Machado de Assis escaparia da internação: epilético, morrerá de esclerose múltipla. Isso para não falar no nevrótico Lima Barreto, que dará efetivamente entrada no Hospital de Alienados... onde hoje funciona a Universidade Federal do Rio de Janeiro, vizinha ao Pinel. De uma só canetada, o prédio da loucura se tornou sede do saber. Um hospício-academia. Enquanto isso, Pinel, o cientista, virou sinônimo de maluco.
    Mas a canetada que interessa ao LER A DOIS é a do escritor – seja o presidente da Academia Brasileira de Letras, como Machado, seja um candidato sucessivas vezes vencido, como Barreto. Através de seu ofício, superaram preconceitos de ordem racial, psíquica e social e se firmaram como dois clássicos de nossas letras.
    Machado, até aos 40 anos um autor convencional, entra na década de 1880 escrevendo dois folhetins revolucionários: o romance Memórias póstumas de Brás Cubas e o conto “O alienista”, que abrirão nova fase da nossa literatura, o realismo.
    Realismo à brasileira, é bom dizer, cuja primeira obra são as memórias de um narrador que só começa a escrever depois da morte. Realismo muito louco, que tem seqüência com aquele conto sobre a loucura, onde o único alienado acaba sendo o alienista. Realismo que vira outra página quando Lima Barreto começa a escrever seus folhetins. Em comum, certa autonomia entre os capítulos, escritos em módulos para a leitura em jornal.
    Se licença poética é possível em prosa, leitor, nós a pedimos para levar essa autonomia às últimas conseqüências e propor uma colagem de trechos de “O alienista” e de Triste fim de Policarpo Quaresma. Tudo para sugerir, na lógica com que Simão Bacamarte, o alienista, escreveu os parágrafos de sua lei geral sobre a loucura: 1) que o major Quaresma é uma criatura do doutor Bacamarte; 2) que “O alienista” serve de argumento para Triste fim de Policarpo Quaresma; 3) que Lima Barreto, finalmente, faz a transição de Machado para os modernistas. Estaremos loucos?

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  4. Uma vez desonerado da administração, o alienista procedeu a uma vasta classificação dos seus enfermos. Dividiu-os primeiramente em duas classes principais: os furiosos e os mansos; daí passou às subclasses, monomanias, delírios, alucinações diversas. Isto feito, começou um estudo acurado e contínuo; analisava os hábitos de cada louco, as horas de acesso, as aversões, as simpatias, as palavras, os gestos, as tendências; inquiria da vida dos enfermos, profissões, costumes, circunstâncias da revelação mórbida, acidentes da infância e da mocidade, doenças de outra espécie, antecedentes na família, uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor (...)

    Mal dormia e mal comia; e ainda comendo, era como se trabalhasse, porque ora interrogava um texto antigo, ora ruminava uma questão, e ia muitas vezes de um cabo a outro do jantar sem dizer uma só palavra a D. Evarista (...)

    - A Casa Verde é um cárcere privado, disse um médico sem clínica.

    Nunca uma opinião pegou e grassou tão rapidamente. Cárecere privado: eis o que se repetia de norte a sul e de leste a oeste de Itaguaí, – a medo, é verdade, porque durante a semana que se seguiu à captura do pobre Mateus, vinte e tantas pessoas, duas ou três de consideração – foram recolhidas à Casa Verde. O alienista dizia que só eram admitidos os casos patológicos, mas pouca gente lhe dava crédito. Sucediam-se as versões populares. Vingança, cobiça de dinheiro, castigo de Deus, monomania do próprio médico, plano secreto do Rio de Janeiro com o fim de destruir em Itaguaí qualquer germe de prosperidade que viesse a brotar, arvorecer, florir, com desdouro e míngua daquela cidade, mil outras explicações, que não explicavam nada, tal era o produto diário da imaginação pública (...)

    Daí em diante foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais simples mentira do mundo, ainda daquelas que aproveitam ao inventor ou divulgador, que não fosse logo metido na Casa Verde. Tudo era loucura. Os cultores de enigmas, os fabricantes de charadas, de anagramas, os maldizentes, os curiosos da vida alheia, os que põem todo o seu cuidado na tafularia, um ou outro almotacé enfunado, ninguém escapava aos emissários do alienista. Ele respeitava as namoradas e não poupava as namoradeiras, dizendo que as primeiras cediam a um impulso natural e as segundas a um vício. Se um homem era avaro ou pródigo, ia do mesmo modo para a Casa Verde; daí a alegação de que não havia regra para a completa sanidade mental.

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  5. Grito da Terra: Governo garante mais dinheiro para reforma agrária e agricultura familiar
    O governo não vai bloquear o orçamento do Incra para desapropriação de terras e pretende aumentar em R$ 500 milhões os recursos destinados à reforma agrária, informou ontem o presidente Lula aos líderes do 16º Grito da Terra Brasil 2010.

    “Nós garantimos avanços na implementação da reforma agrária, fortalecemos a agricultura familiar e ampliamos as políticas sociais para o campo”, avaliou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Alberto Broch, após a audiência com Lula.

    Outra conquista dos trabalhadores foi o aumento de 7% nos recursos do Plano de Safra da Agricultura Familiar, que este ano terá R$ 16 bilhões.

    Além disso, segundo Broch, o governo federal se comprometeu a remanejar 20% das verbas do Programa de Garantia de Preço Mínimo, do Ministério da Agricultura, da agricultura patronal para a agricultura familiar. Isso, nas contas da Contag, representará reforço de R$ 1 bilhão na renda dos pequenos agricultores.

    Os trabalhadores rurais conseguiram ainda ampliar de R$ 100 mil para R$ 130 mil o limite de crédito individual do programa Mais Alimento e a criação da modalidade de financiamento coletivo, que vai emprestar até R$ 500 mil para projetos de melhoria nos índices de produtividade para grupos de agricultores familiares. Já os limites do Pronaf devem ser ampliados para R$ 220 mil.

    O presidente Lula também informou aos dirigentes das entidades de agricultura familiar que assinará, nas próximas semanas, o decreto que mudará o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Animal (Suasa) e o que estabelece critérios para a aprovação do manejo e averbação da reserva legal nos imóveis rurais.

    Além dos itens econômicos, o governo federal atendeu a várias reivindicações da pauta de políticas sociais da Contag. Algumas das principais são:

    a) contratação, nas próximas semanas, de 500 médicos e peritos e mil técnicos e analistas para melhorar o atendimento dos aposentados rurais nas agências da Previdência Social;

    b) simplificar os critérios e mecanismos de recolhimento das contribuições dos segurados especiais;

    c) incluir no Plano Nacional de Educação um capítulo específico sobre educação no campo;

    d) disponibilizar protetor solar nas farmácias populares;

    e) proibir o registro de um segundo sindicato rural onde já exista uma entidade representativa dos trabalhadores e cancelar as autorizações de sindicatos paralelos que já foram concedidas pelo Ministério do Trabalho.

    Fonte: Brasília Confidencial

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  6. Esse tal de RAÍZES não toma jeito, copia até os comentários dos outros...kkkkk...isso é crime hein!kkkk

    Ultimo comentário do Raízes encontra-se neste link abaixo:


    http://www.eliezermax.com.br/leradois_comentario.asp

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  7. Fabiano,

    o ponto 9 é um resumo de um dos tópicos da grande obra de Nicolau Maquiavel - O Príncipe.
    Onde ele nos esclarece que cada líder, precisa conhecer os seus liderados, conhecendo seu anseios e desejos, eles conseguem ter um grande poder de manipulação.

    Uns preferem ser liderados por doutrina ditatória(pela força).

    Outros por doutrina religiosa(por um espiritualidade/divindade).

    E ainda tem aqueles preferem ser liderados pelo carisma(pela enganação).

    "Entende agora porque vamos sediar uma Copa do Mundo em 2014; copa esta, que ninguém, no mundo, fez questão de sediar".

    Ou seja, cada povo tem o líder que merece

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